Notícia

II Seminário alagoano sobre parto e nascimento foi sucesso de público

 

No último final de semana, Maceió foi palco de discussões sobre humanização do nascimento e políticas de incentivo ao parto normal respeitoso. Nomes como a enfermeira Heloísa Lessa (RJ), o obstetra Ricardo Jones (RS), a enfermeira Zeza Jones (RS), o pediatra Ricado Chaves (RJ), a obstetra Leila Katz (PE), a bióloga Lígia Sena (RS), foram os grandes nomes do cenário nacional que trouxe experiências e muita informação baseada em evidências científicas. 

 

Quando o assunto foi voltado para a violência obstétrica, a bióloga e administradora do site “Cientista que virou mãe”, Lígia Sena, afirmou que em sua tese de doutorado, que será publicada ainda esse ano e que reuniu entrevistas com mulheres de todas as partes do Brasil, foi constatado que 30% das entrevistadas compararam seus partos ao holocausto, tamanha a violência que profissionais de saúde exercem dentro das maternidades brasileiras.  

 

Em um dos temas propostos, a obstetra pernambucana Leila Katz abordou o assunto parto normal de bebê pélvico (quando o feto está “sentado” dentro do ventre materno) e com evidências científicas fortes falou que é possível o parto normal nesses casos e que hoje em dia, falta treinamento dos obstetras brasileiros para lidar com essa situação, fazendo a maioria optar pela cesariana, o que seria desnecessário sabendo-se que é possível o parto normal de um bebê em posição pélvica.

 

Edson Borges, obstetra do hospital Sofia Feldman (MG), comentou as experiências de sucesso dentro dessa instituição pública onde os médicos foram retirados dos partos de baixo risco e as enfermeiras obstetras assumiram essa função, deixando-os apenas para os partos de alto risco e cesarianas de emergência, e também, a presença de doulas no momento do parto, o que  segundo o obstetra, os índices de episiotomia (corte no períneo feminino), as taxas de cesariana, e pedidos de anestesia durante o trabalho de parto, diminuíram drasticamente.

Com o tema “atendimento humanizado ao recém nascido”, o pediatra Ricardo Chaves, partilhou suas práticas e experiências dentro da assistência humanizada, com bases científicas sólidas. “Todo procedimento em um recém nascido, quando necessário, é com o bebê no colo da mãe, para não perder a primeira hora de aleitamento materno. Além disso, o corte do cordão umbilical só é feito quando ele para de pulsar, o que permite que todo o sangue contido nele, seja transferido para o bebê, garantindo imunidade necessária ao recém nato. Quando o assunto é limpar o bebê assim que nasce, estudos provam que todo o muco contido na pele dele, o protege de inúmeras bactérias”. O médico comentou ainda que só faz aspiração nasal quando realmente necessário, impedindo que esse procedimento seja rotineiro.

 

As enfermeiras obstetras Zeza Jones (RS) e Heloísa Lessa (RJ), abordaram temas de bastante relevância para a comunidade, incentivando a formação de mais profissionais dessa área para atendimento de partos normais de baixo risco em todo o Brasil. Além de ressaltarem a importância do parto domiciliar, mostrando estudos científicos de alto impacto.

 

Ricardo Hebert Jones (RS), obstetra, o último palestrante do seminário, abordou de forma enfática a humanização do nascimento, sendo contrário as cesarianas eletivas, valorizando o parto normal, fazendo uma retrospectiva histórica da medicina e os conceitos arcaicos onde o médico ainda decide pelo paciente sem considerar os desejos deste. “Hoje existe uma fabricação em série de bebês onde médicos ultrapassam limites éticos fazendo 15 cesarianas em um só dia. É preciso parar com essa modelo tecnocrático, que oprime, visando apenas o lucro, sem olhar o que é mais valioso: a vida. “

 

Por: Débora Guedes

 

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