Mulheres com câncer de mama relatam crescimento diante da adversidade

NYT 

 

De dar mais valor à vida a ficar mais próxima da família, pacientes

listaram pequenas mudanças com muito significado ocorridas

depois do diagnóstico

 

Embora um diagnóstico de câncer de mama possa ser uma

notícia devastadora, algumas mulheres encontram um

crescimento pessoal positivo ao passar pela experiência, diz um

novo estudo.

A maioria das pessoas já ouviu falar de estresse pós-traumático, mas um novo conceito, conhecido como "crescimento pós-traumático", vem sendo notado: são as mudanças psicológicas positivas de uma pessoa que passa por uma história de superação.

O novo estudo foi feito com cerca de 700 pacientes com câncer de mama. Os pesquisadores descobriram que, em média, as mulheres relataram o crescimento pessoal no próprio ano do diagnóstico ou pouco depois disso. Foram relatados atos que vão de “valorizar mais a vida” a “sentir-se mais próxima da família e de amigos”.

Decisão consciente


As mulheres que disseram estar recebendo mais apoio de amigos e família estavam mais propensas a ver o crescimento pessoal em si mesmas. Para Suzanne, é possível que ter mais gente com quem conversar sobre a luta contra a doença aumenta a capacidade de crescer diante da adversidade.E não foram apenas as mulheres com um temperamento naturalmente otimista que relataram este crescimento pessoal, disse a pesquisadora Suzanne Danhauer, professora no Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, EUA. No início, o estudo também mediu a tendência geral das mulheres para ser otimista, e descobriu-se que o traço não está ligado ao objeto do estudo. “Não é apenas otimismo”, disse Suzanne. “Não foram só as mulheres que tendem a ver o copo meio cheio que apresentaram crescimento”.

Algumas mulheres também podem tomar uma decisão consciente para tirar algo de positivo de uma experiência difícil, disse a médica Mary Jane Massie , psiquiatra do Centro de Câncer Memorial Sloan- Kettering, em Nova York, EUA. Mary Jane não estava envolvida no novo estudo.

“Trabalho com mulheres com câncer de mama há algumas décadas”, disse. “E já ouvi muitas dizerem: ‘Se tiver que passar por isso, vou me certificar de tirar algo de bom da experiência’”.

O estudo, publicado online recentemente na revista Psico-Oncologia , incluiu 653 mulheres com diagnóstico recente de câncer de mama, principalmente de fase 1 ou fase 2 . As mulheres responderam a um questionário padrão sobre o crescimento pós-traumático no prazo de oito meses de seu diagnóstico e, em seguida, depois de mais seis, 12 e 18 meses.

O questionário tem perguntas que aferem a valorização da vida, sentimentos sobre relações pessoais, mudanças na espiritualidade e abertura para novas possibilidades.

Sem regras

                                                Em média, a pontuação dos questionários aumentou durante o primeiro                                                 ano após o diagnóstico e depois se estabilizou. Mulheres que relataram                                                 aumento de apoio social após o diagnóstico apresentaram maior                                                           crescimento pós-traumático.

                                                Mas nem toda mulher quer conversar. “Algumas mulheres não  querem                                                 dizer a seus amigos que têm câncer”, disse Mary Jane. “E tudo bem.                                                     Não  há uma regra que diga que você tem que contar a alguém”.

                                                Porém, segundo ela, é importante que os sistemas de saúde tenham                                                   grupos de apoio para os pacientes com câncer que querem falar.

                                                Suzanne disse que pessoas com câncer podem se sentir                                                                   pressionadas a “pensar positivo” e acabam sentindo-se culpadas                                                       quando não atendem a essa expectativa.Mesmo com esse tipo de                                                   apoio, no entanto, pacientes com câncer não devem sentir que                                                       estão fazendo algo de errado se não sentirem ter crescido diante                                                    da adversidade, disse Suzanne. “Não quero dar a impressão de                                                        que todas as mulheres devem passar por isso”, disse ela.                                                                  “Estamos apenas dizendo que algumas mulheres passam”.

                                               

                                                Para Mary Jane, não existe uma maneira padrão como um paciente com câncer deve se sentir. Ela acrescentou, porém, que o crescimento pessoal não precisa ser uma grande mudança.

“Pode ser que você repense a sua vida em pequenas coisas”, disse. “Talvez você trabalhe um pouco menos ou passe mais tempo com sua filha”.

Quanto a outros tipos de câncer, grande parte da pesquisa sobre o crescimento pós-traumático tem se concentrado no de mama. Mas há alguns estudos - dois mais recentes descobriram que sobreviventes de câncer de pulmão e jovens adultos que tinham sobrevivido ao câncer na infância também relataram crescimento pessoal a partir de sua experiência.

Fonte:  Ig.com

http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-11-04/mulheres-com-cancer-de-mama-relatam-crescimento-diante-da-adversidade.html

 

 

 

David Jay/The SCAR Project

O Scar Protect, do fotógrafo David Jay, contempla mulheres que superaram o câncer de mama

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