RELATO DE CASO DE HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA DE BOCHDALEK COM RIM DIREITO E SEGMENTOS POSTERIORES DO LOBO DIREITO DO FÍGADO INTRATORÁCICOS.

 

OBJETIVO: Relatar caso de paciente com hérnia diafragmática do tipo hérnia de Bochdalek direita com rim direito e segmentos posteriores do lobo direito do fígado intratorácicos. MÉTODO: Paciente do sexo feminino de 33 anos procurou o ambulatório da urologia com queixa de infecções urinárias de repetição, muitas vezes associadas a quadro de tosse, dispneia aos médios esforços e congestão nasal. Relatava também dorsalgia com irradiação para membro inferior direito com aumento de intensidade nos períodos da infecção urinária. Sem história prévia de trauma torácico ou abdominal. Nega cirurgias anteriores. A Radiografia de tórax evidenciou: “Imagem de opacificação de contornos irregulares pósterobasal direito. Obstrução do seio costofrênico direito.” As tomografias de tórax e abdome superior apresentaram: “Significativa herniação diafragmática, à direita, póstero-medialmente, com acentuada elevação e protrusão intratorácica do rim direito e dos segmentos posteriores do lobo direito do fígado. Pulmão direito moderadamente reduzido de volume, evidenciando pequena formação nodular no terço médio correspondente à união de duas estruturas vasculares curvilíneas e ectasiadas relacionadas com retorno venoso anômalo deste pulmão. Aspecto sugestivo de malformação vascular complexa, com retorno venoso pulmonar anômalo parcial”. Cintilografia renal com DMSA e DTPA dentro da normalidade. Realizou também ecodopplercardiograma que demonstrou: “Fração de ejeção de 68% e discreta insuficiência valvar mitral”. RESULTADO: A paciente refere melhora da sintomatologia após uso de antibióticos, com persistência da dispneia de intensidade leve aos médios esforços. A avaliação da cirurgia torácica revelou que o procedimento cirúrgico, embora simples, poderia provocar transtornos na cavidade abdominal pela redução do conteúdo herniário e por este motivo a paciente optou por não realizar a cirurgia devido à pobreza de sintomas episódicos de dor e desconforto respiratório significativos até o presente momento. CONCLUSÃO: A apresentação tardia desta patologia é de difícil diagnóstico e requer um elevado índice de suspeição. No diagnóstico diferencial, a doença cística congênita do pulmão e a pneumonia com formação de pneumatocelos devem ser consideradas. O exame radiológico com contraste e a tomografia axial computadorizada confirmam o diagnóstico. Apesar de na literatura encontrarmos uma maior tendência à indicação de tratamento cirúrgico, é importante salientar que com uma avaliação individual consegue-se selecionar indivíduos passíveis de manejo clínico conservador, evitando-se assim uma exposição aos riscos cirúrgicos de pacientes com pouca sintomatologia e qualidade de vida inalterada.

Nossos Parceiros